30/08/2021 às 13h57min - Atualizada em 30/08/2021 às 13h57min

Tupãense relata pavor dos disparos de fuzis ao lado do prédio onde mora em Araçatuba

Bando armado fez reféns, usados como escudos humanos, centenas de disparos, enfrentou a polícia e explodiu e roubou ao menos duas agências bancárias

Nilton Mendonça – com fontes locais
Redação Cidade Real
Imagens printadas nas redes sociais
 
Até as 12h desta segunda-feira, 30/08, conforme a imprensa local, ao menos 13 pontos da cidade de Araçatuba ainda tinham explosivos deixados pela quadrilha armada que botou terror na cidade, durante a madrugada, arrombando e roubando ao menos duas agências bancárias e de deixando um rastro de destruição e pessoas mortas e feridas.
 
Em uma ação semelhante a já realizada em outras cidades do País, incluindo Ourinhos, na madrugada do dia dois (02) de maio do ano passado, o bando fortemente armado deixou um saldo de ao menos três mortes (dois moradores e um suspeito) e seis pessoas feridas foram confirmadas pela Polícia Civil e Santa Casa da cidade – com ao menos duas sendo intubadas.
 
Em pouco menos de duas horas o bando, com entre 15 e 20 assaltantes em ao menos 10 veículos, rendeu moradores (usados como escudos humanos), interditou os acessos da cidade, distribuiu explosivos pela região central, explodiu agências bancárias e fugiu.
 
Conforme a Polícia Civil, uma das vítimas fatais da quadrilha – Renato Bortolucci, proprietário de um posto de combustíveis – teria sido morta ao filmar a ação dos bandidos em via pública. Márcio Victor (sem outros dados pessoais divulgados) seria o segundo morador vítima fatal dos assaltantes.
 
Três suspeitos foram presos, um morreu e outro ficou ferido em confronto com policiais, quando parte do bando tentou fugir no sentido da área rural identificada como bairro Taveira.
 
Antes de escapar os ladrões abandonaram os veículos usados na ação e roubaram outros carros de moradores da cidade.
 
FERIDOS
 
A Santa Casa de Araçatuba divulgou em nota, dados de quatro vítimas lá socorridas. Uma delas foi um rapaz de 25 anos que, segundo o hospital, teve os dois pés amputados após acionar um explosivo (na UTI intubado).
 
Além dele, outros três homens: um de 28 anos, baleado no abdome, quadro estável; outro de 31 anos, baleado na face e braços, quadro clinico grave, precisou ser intubado; e um quarto homem, de 38 anos de idade, baleado nas pernas, braços e cabeça (raspão), igualmente quadro clinico grave, também precisou ser intubado.
 
Por causa da gravidade da situação e dos riscos de mais acidentes com explosivos, as aulas nas escolas municipais e estaduais foram canceladas nesta segunda-feira, e o transporte público – pelo menos até 13h, não funcionou.
 
TESTEMUNHA
 
O representante comercial E.M.T., de 48 anos, que é natural de Tupã e mora e trabalha em Araçatuba desde 2015, resume como “uma visão do inferno”, o que viveu durante a madrugada, por menos de duas, tempo que lhe pareceu uma eternidade.
 
“Creio que nem no inferno haja algo parecido. Muitos tiros, um barulho ensurdecedor, aqui perto de casa muitos gritos, e uma total confusão. Centenas de mensagens em redes sociais e a gente não sabia em qual acreditar. Se me falassem não acreditaria: vi pessoas em cima de um carro, servindo de escudo humano para os ladrões. Apavorante. A gente não tem para onde ir, nem o que fazer. Nunca mais isso vai sair da minha cabeça. Nem dormir eu consegui depois. Graças a Deus que minha família não estava em casa”, desabafou o vendedor que pediu para não ser identificado.
 
Morador vizinho a rua Luiz Pereira Barreto (onde a polícia encontrou diversos explosivos) o representante E.M.T. contou que para se prevenir, deitou no chão do apartamento.
 
“Algumas poucas vezes tive coragem de olhar pela janela, rápido, e vi alguns carros com alerta ligado, passando devagar. Mas na maior parte do tempo fiquei deitado na sala, sem reação, recebendo e repassando informações pelo WhatsApp. Peço a Deus para nunca mais passar por uma dessas. É apavorante. Nenhum ferimento físico eu tive, mas na mente vivi um pesadelo. E o pior de tudo: na vida real”, contou o representante.

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