07/10/2021 às 17h34min - Atualizada em 07/10/2021 às 17h34min

Com 262 acidentes em 2021, Tupã reforça alerta e busca ao escorpião amarelo

Literatura diz que ‘Tityus serrulatus’ é capaz de ficar até sete dias sem respirar, três meses sem mexer e um ano sem se alimentar

Nilton Mendonça
Redação Cidade Real
Imagens meramente ilustrativas
 
Como acontece anualmente, a Secretaria de Saúde da Estância Turística de Tupã intensifica, na mesma proporção das altas temperaturas previstas para o Verão, o alerta e os trabalhos de busca ao escorpião amarelo, tipo predominante na cidade.
 
Este ano, até setembro, já foram registrados 262 acidentes com seres humanos, contra 241 em igual período do ano passado, segundo a agente de endemias, Joice Marcela, supervisora de Zoonoses da Secretaria de Saúde. 
 
Ela explica que a população do escorpião amarelo, é exclusiva fêmea, e que cada animal realiza duas reproduções por ano, uma delas nesta época, juntamente quando os indivíduos saem a procura de locais fresco e úmidos para ter seus filhotes.
 
Joice lembra que uma das principais características do escorpião é a resistência natural: “Esse bicho (e ele não é um inseto, como muitos pensam) é capaz de ficar até sete (07) dias sem respirar, três (03) meses sem mexer e um ano sem se alimentar”.
 
Outra razão, conforme ela, para o aumento dos casos de aparecimento domésticos desse bicho é a procura de alimento: “Ele identifica a ameaça e presença do alimento a até um quilômetro de distância – seu alimento preferido é a barata e, de preferência viva”, resume.
 
QUATRO ‘As’
 
Joice Marcela esclarece que a batalha para se evitar os acidentes com o escorpião está ligada a uma imagem que os profissionais identificam como ‘quatro as’.
 
“Essencialmente o escorpião precisa, para se alijar nas residências, áreas e construções anexas – e acabar provocando algum tipo de acidente com os moradores desses locais – é de acesso, abrigo, alimento e água. Por isso focamos as campanhas de esclarecimentos nos quatros ‘as’, fáceis das pessoas entenderem”.
 
Primeiro, conforme a agente, é necessário adotar cuidados que, ao menos, dificultem, a entrada (acesso) do bicho em casa, como proteger as frestas de portas e janeiras, os ralos e qualquer outra ‘via livre’ que possa facilitar essa entrada nas casas. “Já houve registros de encontros dele nos aparelhos de ar condicionado”, exemplifica.
 
Depois, nesta lista, é preciso evitar, em locais abertos da casa, os calçados e roupas, caixas de brinquedos e qualquer outro objeto que ofereça algum tipo de abrigo confortável e seguro para o escorpião – inclusive fora de casa como os acúmulos de restos de madeira, materiais de construção, folhas secas e qualquer matéria que gere algum tipo de conforto para a reprodução e a presenças das baratas.
 
“Além desse tipo de cuidado, é preciso – dentro de casa – estar atendo na hora, por exemplo, de calçar um tênis que está no chão; vestir uma peça de roupa mantida em área que ele consiga chegar; de manusear madeiras, matérias de construção e até folhas de plantas – neste caso, especialmente de produtos que, de certa forma, possam favorecer o habitar para as baratas. Onde elas estiverem – e aí se inclui redes de esgoto das casas – o bicho vai ter uma motivação para estar”, explica Joice.
 
Portanto, reforça a agente, independente da época do ano, qualquer condição favorável à proliferação das baratas é um atrativo à aproximação do escorpião, que tem nelas seu “preto preferido”.
 
“É preciso que todo cuidado seja tomada, levando-se em conta os quatro ‘as’: abrigo, acesso, alimento e água”, resume Joice Marcela.
 
CAPTURA E VENENO
 
Em recente entrevista ao programa Manhã de Notícias, da plataforma TV SP Play, no Facebook, Joice Marcela destacou cuidados adicionais a serem adotados pela população para se reduzir a incidência e também a gravidade dos acidentes com escorpiões.
 
Um deles é a não manipulação desse bicho em caso de encontro dele, em casa, ou nos arredores.
 
“A captura nunca é recomenda. Nós indicamos eliminar ao invés de correr risco de acidentes... no máximo indicamos a pessoa colocar um balde ou bacia sobre o bicho para evitar a fuga e nos acionar... nunca tentar manipular sem as técnicos e ferramentas apropriadas”, alerta.
 
A alternativa de aprisionar, de forma segura, é mais importante ainda a partir do momento em que Tupã se tornou um fornecedor do bicho ao Instituto Butantan, para a retirada do veneno e produção do soro antiescorpiônico. “É importante essa captura, mas em relação a população, nada justifica um risco de ser picados”, completa.
 
Joice Marcela também reiterou a informação que “não existe veneno eficiente e seguro contra escorpião”, apesar de todas a informações contrárias que se publica, incluindo a propaganda e comercialização através da internet.
 
Segundo ela, a absoluta maioria desses produtos acaba produzindo dois efeitos que tornam o contato humano com o escorpião ainda mais perigoso. O primeiro deles é o efeito desalojante e o segundo o agravante de violência da ação do bicho.
 
“Na maioria das vezes, eles funcionam como repelente, provocando a saída do bicho do esconderijo e sua exposição a população humana, até que ele encontre outro lugar. Também esse anunciados venenos, em boa parte, interferem no sistema no comportamento do bicho, provocando alteração do sistema nervoso, via de regra tornando-o mais violento e propenso a atacar”, explica Joice, reiterando que – na prática o escorpião amarelo apenas ataca quando se sente ameaço, portanto para se defender.
 
NÚMEROS
 
De acordo com Joice Marcela, no Brasil, anualmente, são registrados cerca de nove mil acidentes com escorpiões de várias espécies, com índice não maior a 1% morte.
 
“Em nível de Brasil, historicamente temos um Índice de letalidade de 1%, a absoluta maioria relacionadas a populações mais vulneráveis. No ano passado, por exemplo foram nove óbitos, todos de idosos e crianças”.
 
Conforme Joice, em Tupã, o ‘Tityus serrulatus’, conhecido popularmente como escorpião-amarelo (típico e mais incidente do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do País) já provocou, até o final de setembro, ao menos 262 acidentes, contra 241 de 2020.
 
Dos registros de 2021, em Tupã, um único caso de picada evoluiu para quadro grave – envolvendo um adolescente picado.
 
Joice Marcela também observou reiteradas vezes, na entrevista, que a agilidade para o atendimento tem relação direta com a gravidade de cada acidente. A maioria dos óbitos dos acidentes de escorpiões ocorre por demora no atendimento e falta do soro e, no caso de crianças e idosos, o ideal é de máximo 40 minutos após a picada, para o atendimento.
 
“No caso de picada, é recomendado a maior brevidade possível para a avaliação médica, e em caso de necessidade, a aplicação do soro. E no caso, de Tupã e região, a referência é a Santa Casa de Misericórdia. Indicamos levar diretamente para lá, onde existe o soro e atendimento médico de plantão”, resume.
 
Outro detalhe pertinente destacado pela agente é a explicação de que, nem sempre há a necessidade de aplicação do soro antiescorpiônico.
 
“Pessoas chegam, ás vezes, a reclamar que foram picadas e não lhe foi aplicado o soro, porque o hospital não tinha, o não é verdade. É o médico que avalia as condições do paciente e decide se é necessário o soro ou apenas o medicamento para combater a dor, que é intensa. Aliás, na maioria dos casos não há necessidade do soro”, disse Joice.
 
Ele finalizou destacando que em Tupã, além das campanhas informativas anuais, o enfrentamento ao escorpião é feito tanto por “demanda espontânea” –quando a população chama – quanto através dos trabalhos preventivos em cemitérios, áreas com potencial chamariz (como sistemas de esgotamento sanitário) e regiões da cidade com incidência mais severa do aparecimento do bicho.

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