02/11/2021 às 15h44min - Atualizada em 02/11/2021 às 15h44min

Número de motofretistas mortos no trânsito em SP cresceu 54% em 1 ano

Em Tupã, colegas realizaram protesto durante sepultamento de mais uma vítima da violência do trânsito, o entregador Antony Robert , de 20 anos

Nilton Mendonça
Redação Cidade Real
A cena do acidente com Antony, na madruga de domingo (imagens cedidas pela Policia Militar)
 
A morte do entregador Antony Robert Queiroz Cervantes, de 20 anos de idade, na madrugada do último domingo, 31/10, em Tupã, chamou a atenção para os números alarmantes, e o aumento ainda mais preocupante no número de motofretistas (entregadores que usam motocicletas) no trânsito das cidades do Estado de São Paulo.
 
Segundo dados atualizados, em outubro do ano passado, pelo Departamento Estado de Trânsito (Detran-SP), o número motofretistas mortos em acidentes de trânsito, durante o expediente de trabalho, no estado de São Paulo aumentou 54% em 2020, na relação com ano anterior.
 
Mesmo com menos carros no trânsito, somente na Capital, segundo os números do Detran-SP, o índice de óbitos registrou crescimento de 45%.
 
Enquanto de janeiro a agosto de 2019, 53 entregadores morreram no estado, mesmo período de 2020, 82 motofretistas foram vítimas fatais em acidentes.
 
Segundo a estatística oficial, os acidentes com vítimas não fatais, também registraram um expressivo salto quantitativo (mais de 40%), passando de 4.962 até o final de agosto de 2019, para 6.975 no mesmo período (janeiro a agosto) de 2020.


De acordo com Infosiga-SP, sistema do programa Respeito à Vida, que publica mensalmente estatísticas sobre acidentes com vítimas de trânsito, nos 645 municípios do Estado, as vítimas são principalmente jovens com idade entre 18 e 29 anos, que representam 43,7% do total de fatalidades em motocicletas.
 
PANDEMIA
 
Dados publicados pelo jornal “A Voz do Motoboy”, dão conta de apenas na cidade de São Paulo, em março de 2020 - começo da quarentena - houve 39 óbitos contra 21 no mesmo mês de 2019, aumento de 85,7%.
 
Em nível de Estado, no mesmo período, houve crescimento nos números das mortes saltando de 161 (2019) para 171 (2020).
 
“Até agora, autoridades públicas não apresentaram políticas públicas para reverter essa tragédia”, protesta a publicação direcionada aos profissionais das entregas sobre duas rodas.
 
PANDEMIA
 
O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo), Marcos Fermanian, relaciona o aumento dos acidentes e mortes com “o aumento de entregadores por motocicletas nas ruas”.
 
A crise causada pela pandemia fez com que a motocicleta se tornasse "fonte de renda para muitas pessoas que perderam o emprego ou tiveram seus ganhos reduzidos", aponta Fermanian.
 
Mesmo com recuo em torno de 15% do setor, no ano, o mês de setembro de 2020 registrou mais vendas de motos no país do que no mesmo período do ano anterior, quando ainda não havia sinal algum de uma pandemia.
 
MAIS UM NA ESTATÍSTICA
 
Para chamar a atenção sobre esses dados preocupantes, um manifesto foi realizado por motociclistas durante o cortejo fúnebre do jovem tupãense, Antony Robert, mais uma vítima a ser incluída nas estatísticas.
 
Ele se envolveu em um acidente quando trabalhava como entregador, na madrugada de domingo, 31/10, nos altos da rua Marilia, zona Leste de Tupã.
 
Segundo consta o motofretista colidiu na traseira de um automóvel Gol, cujo motorista reduziu a velocidade para esperar a fluidez do trânsito.
 
Com a batida, Antony e moto foram arremessados para a pista contrária e atingidos por um outro automóvel que transitava no sentido contrário.
 
Um grupo motociclistas e motofretistas homenageou Antony, durante o féretro entre o velório da Santa Casa e o Cemitério da Saudade, em um protesto com o objetivo de chamar a atenção para os danos que este tipo de acidente provoca.
 
Um alerta aos motoristas em geral, para que respeitem o espaço e as condições de maior vulnerabilidade dos motociclistas – especialmente os entregadores.
 
Também aos próprios motofretistas que, muitas vezes com a justificativa de pressa para as entregas, exageram na velocidade e negligenciam alguns cuidados essenciais em um trânsito complicado por natureza.
 
Filho do servidor municipal Toninho Cervantes, motorista da Prefeitura, Antony era recém-casado e deixou viúva a jovem esposa Thayná Fernanda.

Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »

Você acredita na lisura e integridade da urna eletrônica, e da Justiça Eleitoral (responsável pela manipulação da urna eletrônica)?

22.7%
11.4%
65.9%