24/11/2021 às 11h08min - Atualizada em 24/11/2021 às 11h08min

Sem fiscalização, trânsito da Marília segue sendo um ‘paraíso da desordem’

Alta velocidade, ultrapassagens ilegais, retornos indevidos, falta de faixas de pedestres, empinadas e nenhuma fiscalização geram a impunidade que alimenta o desrespeito

Nilton Mendonça
Redação Cidade Real
Ultrapassagem pela contramão é abuso mais comum no trânsito da avenida Marília a qualquer hora do dia ou da noite (Imagens: Nilton Mendonça)
 
É diariamente a partir das 17h que as ocasiões de risco e o barulho se ampliam, mas comerciantes estabelecidos e moradores testemunham que os abusos acontecem a plena luz do sol, a qualquer hora e das mais diversas formas.
 
Pai e mãe de todos os demais problemas, são a irresponsabilidade no trânsito, de uma pequena mais expressiva parte dos motociclistas e motoristas e a completa falta de fiscalização (além da ausência de recursos de segurança viária) que dão ao trecho – do Varejão Gaspar até o semáforo da avenida Aníbal Davoli – a perigosíssima sensação de impunidade e superpoderes a quem se arrisca a desobedecer às regras mínimas de trânsito e levar risco a própria vida e de terceiros.
 
E olha que, de parte dos condutores, nem os seguidos acidentes e até mortes tem ajudado – como motivação – na construção de um trânsito menos desordenado pela principal artéria de ligação entre o centro e a zona Leste de Tupã.
 
Usuários enfrentam dificuldades até para a simples ‘travessia segura’ da Marília, graças a inexistência de faixas de segurança para pedestres. Uma que existe defronte à Igreja Pentecostal Deus é Amor, por exemplo, não tem qualquer sinalização indicativa e, totalmente sem fiscalização, é ignorada por pelo menos 90% dos condutores – um risco para qualquer pessoa que resolva exercer seus direitos de pedestre.
 
ABAIXO ASSINADO
 
Conversões à esquerda (que em horários de rush, muitas vezes param o fluxo regular e agravam o estado geral da via), manobras indevidas de retorno nas esquinas, muitos casos de velocidade (bem) acima da permitida, ultrapassagens proibidas (pela contramão) e até empinadas foram vistas em um ‘plantão’ de pouco mais de 50 minutos em trechos da via, entre as 17h25 e 18h15 desta terça-feira, 23/11.
 
E contribuindo com a situação de ‘paraíso da desordem’, no mesmo período, nenhuma viatura policial ou equipe municipal de trânsito foi vista no local, ainda sendo horário de pico, com movimento bem acima da média diária e percentual de abusos e riscos na mesma proporção.
 
E pela ‘milésima vez’ moradores e comerciantes realizavam, no final de outubro (no calor do registro a morte de um entregador de 20 anos), mais um abaixo-assinado, segundo um dos líderes, pedindo “para que o poder Executivo tome algumas medidas, como melhor sinalização, até mesmo mais um semáforo, e até radares também, ou a mudança de preferencial em alguma esquina aqui nessa região dos altos da Vila Formosa”.
 
Dias antes da morte do entregador Antony Robert Queiroz Cervantes, de 20 anos, ocorrida na madrugada do dia 31 de outubro, uma equipe da TV Record, esteve registrando os problemas de trânsito da via, na região da Igreja São José Operário.
 
O morador envolvido nesse último abaixo-assinado lembra que “a primeira infração que eles (motociclistas) cometem é a ultrapassagem (parte pela contramão), visto que... a Marília é faixa dupla contínua, e ainda fazem isso em alta velocidade, e de qualquer lado dos veículos, lado direito, lado esquerdo”.


Veja abaixo flagrantes feitos pela reportagem nesta quinta-feira, 23/11. 

CÂMARA
 
Ao longo dos últimos anos a Câmara Municipal também se mobilizou com indicações e até reportagens de TV para cobrar do Executivo providências e melhorias, mas pouco ou quase nada tem sido feito – sequer fiscalização e punição dos infratores.
 
O ex-vereador (atual suplente) Capitão Neves (PSD) foi um dos preocupados com os usuários daquela via, indicando repetidamente, entre 2017 e 2019, a sugestão de estudos para a implantação de mais faixas elevadas de pedestres, aprimoramento no sistema semafórico e de sinalização.
 
“Infelizmente apesar da questão fazer referência a integridade física e vidas humanas, nada foi feito; nem atenção recebemos; risco negligenciado por seguidas administrações. O que fizeram foi tirar o último semáforo que lá existia (na esquina rua Osvaldo). Nem o elementar que seria fiscalizar o trecho nos horários de pico – com a presença regular dos amarelinhos – é feito. Infelizmente”, resumiu Neves.
 
Recentemente ele encaminhou (em conjunto com a Comissão Executiva local do partido Republicanos) ao deputado federal Roberto Alves, por meio do pré-candidato a deputado estadual, Éliton Leite, solicitação de emenda no valor de R$ 300 mil para a melhorias na avenida Marília.
 
Os questionamentos inclusos nesta reportagem foram encaminhados à Secretaria de Obras e Trânsito da Prefeitura para uma resposta, que será publicada oportunamente.
 

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