25/03/2022 às 17h59min - Atualizada em 25/03/2022 às 17h59min

Mães acusam motorista da Prefeitura de assediar menores em excursão a Varpa

Coquinho confirma que auxiliou famílias no Conselho Tutelar e na polícia e que o motorista já foi afastado das suas funções na Prefeitura

Nilton Mendonça
Redação Cidade Real
Imagem meramente ilustrativa
 
Mães de três alunas do oitavo (8º) ano da Escola Estadual Aristides Rodrigues Simões, de 13 e 14 anos de idade, procuraram o portal Cidade Real nesta quinta-feira, 24/03, para denunciar que suas filhas foram vítimas de assédio por parte de um motorista, funcionário da Prefeitura Municipal de Herculândia.
 
O acusado, conforme as denunciantes, teria dirigido um ônibus da Prefeitura que conduziu estudantes na volta de uma excursão – organizada por uma professora da escola – ao distrito de Varpa, na quarta-feira, 23/03, onde os estudantes visitaram o museu, outros pontos turísticos locais e em seguida foram para a Fazenda Palma, onde teria ocorrido o assédio.
 
PASSOU A MÃO
 
A doméstica V.S. de 40 anos, residente na avenida Industrial, mãe da menor em quem o motorista teria “passado a mão” contou que a filha e outras meninas da excursão se incomodaram com o fato do motorista ter sido flagrado fotografando, com seu celular, as meninas enquanto se banhavam em uma cachoeira do local.
 
A filha contou, segundo V.S. que ‘meninos da turma’ ainda pediram que o motorista apagasse as fotos que havia feito, mas ele teria desconversado e até ironizado o acontecido, se negando a apagar as imagens no celular.
 
O agravante teria ocorrido, segundo V.S., quando a menor J.M. voltou para o ônibus, momento em que o motorista tocou o corpo de sua filha, sob o pretexto de conferir se ela ainda estava molhada: “Tinha uma coleguinha na frente dela... ele estava em pé na porta do ônibus, assim do lado, esperando ela subir; aí assim que ela subiu, ele deu um apertão na perna dela e pôs a mão no cabelo dela para ver se estava molhado. Ela ficou sem reação... me falou, mãe, nunca nenhum homem me tocou e naquele momento eu me senti tão invadida por ele fazer aquilo... Não tinha necessidade de fazer isso”, protestou V.S.
 
FOTOS
 
Outra mãe, a também doméstica E.R.N.S. de 31 anos, moradora do Centro, relatou que além de fotografar sua filha H., em ‘posição desconfortável’, o motorista ainda mostrou a foto para ela. “Não foi uma foto de todo mundo, mas uma foto dela, de lado, se agachando para pegar uma toalha para uma amiga. E ela falou para ele, apagar; eu não gostei e ele disse que não iria apagar. Até um amigo, do lado, falou que o que ele estava fazendo era errado, tirar foro sem autorização da pessoa e ele respondeu assim: isso é no tempo das cavernas, hoje em dia não existe mais não e ficou por isso... Ela disse que estava só ela na foto e como se tivesse puxado o zum”, contou a mãe.
 
E.R.N.S. também contou que, para a brincadeira na água, os meninos vestiam shorts (sem camisa) e as meninas short curto e a parte de cima do biquíni.
 
GESTO LIBIDINOSO
 
A auxiliar de enfermagem L.K.S.C., de 39 anos, do bairro Água Boa, disse ao Cidade Real que sua filha S., de 14 anos “chegou em casa apavorada” e contou que o referido motorista, além de tirar as fotos não autorizadas, teria ‘encarado sistematicamente’ o corpo de sua filha: “Ficou olhando para os seios, as pernas e as partes íntimas dela. Para minha filha, além de ficar olhando, ele ficou lambendo os lábios, passando a língua”, em gesto libidinoso, relatou a auxiliar.
 
L.K. explicou ainda que na ida a Varpa um outro motorista dirigiu o coletivo da municipalidade, mas ele teve que retornar antes a Herculândia e o acusado foi escalado para ir a Varpa para trazer o grupo de estudantes; e que ao invés de chegar ás 13h se antecipou chegando as 10h30 “e ficou de longe tirando fotos das alunas”.
 
OUTRO LADO
 
Consultado pelo Cidade Real, às 15h37 desta sexta-feira, 25/03, por meio de mensagem de WhatsApp, até as 17h37, o Conselho Tutelar de Herculândia encaminhou, às 17h40, a seguinte resposta: “Oi boa tarde. O conselho tutelar já ouviu os familiares e relatos das adolescentes envolvidas, e foi encaminhado as informações para a delegacia civil, onde vão ser tomadas as devidas providências”.
 
O prefeito Paulo Sérgio de Oliveira, o Paulinho (PP) retornou o contado da redação, por meio de uma ligação telefônica, e disse que na Delegacia da Polícia Civil, recebeu a informação de que ainda não houve nenhum registro de ocorrência do caso.
 
Antes, as 16h, havia encaminhado nota oficial em nome do Secretário Jurídico, com o teor integral que se segue:
 
“INFORMATIVO
 
Até o presente momento a prefeitura não recebeu nenhum documento formal acerca das acusações contra o funcionário. Dessa forma, assim que a prefeitura for notificada, tomará as medidas cabíveis em relação ao funcionário.
 
Secretário Municipal de Negócios Jurídicos”
.
 
CÂMARA
 
O presidente da Câmara de Herculândia, vereador Carlos Roberto dos Santos, o Coquinho (PSDB), disse que tomou conhecimento da denúncia no dia do fato e que acompanhou uma das mães para os registros na Delegacia e no Conselho Tutelar e que recebeu a informação do vice-prefeito, de que o motorista acusado estaria afastado das suas funções até a apuração final do caso.
 
“Como legislador e representante do povo espero que a justiça seja feita. Se ele for culpado que pague e se for inocente que tenha seus direitos respeitados... nosso trabalho fizemos... agora é aguardar a apuração dos fatos e conclusão do que está sendo denunciado... aguardamos uma posição do Prefeito... pelo que o vice-prefeito me disse, que o Prefeito não estava na cidade, ele ficará afastado da função até que tudo seja esclarecido”, disse Coquinho.
 
O presidente Douglas Pieri, disse por mensagem de WhatsApp, as 13h55 desta sexta-feira, 25/03, que o Sindicato dos Servidores Municipais de Herculândia (Sindher) não recebeu nenhuma informação oficial envolvendo o servidor denunciado.
 
“Por enquanto, para nós aqui não chegou nada não. Comentário de rua a gente ouve, mas para nós, não chegou nada de oficial”, disse Douglas.
 
A professora da Escola Aristides, apontada como organizadora da excursão será ouvida pelo Cidade Real em uma próxima reportagem.
 
Da mesma forma, a Polícia Civil, que tendo o conteúdo da denúncia relatada pelas denunciantes, deverá adotar os procedimentos de Polícia Judiciária pertinentes do caso.
 
Embora não tenha sua identidade revelada nesta reportagem, o acusado também será procurado para se manifestar, se achar conveniente.

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