15/07/2022 às 18h05min - Atualizada em 15/07/2022 às 18h05min

Transporte ferroviário é estratégico para retomada econômica

Mas recuperar e recolocar em operação a malha ferroviária paulista (e brasileira) atualmente abandonada, requer muito mais que boa vontade

Eliton Leite - Pré
Pré-candidato a Deputado Estadual
Imagem meramente ilustrativa (Arquivo Cidade Real)
 
Em perto de um ano e meio de caminhada de pré-campanha, ecoa em uníssono, aos quatro cantos do interior do estado, o reclamo sobre os danos a economia paulista, das seguidas décadas de abandono de um serviço que foi, na concepção do termo, a locomotiva de implantação de regiões inteiras, Brasil a fora – a estrada de ferro.
 
É o caso da Nova Alta Paulista (entre Marília e Panorama), que desde o início dos anos 2000 tem assistido a seguidos festins e burburinhos políticos sobre o sonho da volta do transporte ferroviário, inicialmente de carga. Infelizmente pouco ou nada de prático foi visto até agora.
 
Acompanho bem de perto os vários setores da economia do Estado de São Paulo e não tenho dúvida de que a sonhada volta do trem será estratégica para a retomada da economia nas várias regiões. Uma vez que o custo de logística e transporte representa um dos principais gargalos dos potenciais econômicos locais, dadas as dimensões do território paulista.
 
Não bastasse a inexistência total de políticas de incentivo, fomento e promoção, focadas nas vocações econômicas regionais interioranas, por parte de seguidos governos no Estado e na União, ‘tão devastadora ou pior’ foi a inércia parlamentar, também neste sentido, da Assembleia Legislativa (Alesp), que virou um ‘puxadinho’ do Palácio dos Bandeirantes, serviçal do Executivo, de costas para o enfraquecimento do setor produtivo paulista.
 
TREM?
 
Sem uma política efetiva de governo com a ‘motivação’ da iniciativa privada, e o acompanhamento e chancela ‘organizada’ dos parlamentos nacional e estadual, creio, será impossível recolocar, ainda que gradativamente, em funcionamento a malha ferroviária abandonada por todo o estado – transformado em sucata, pela falta de manutenção e uso. Ao menos não na velocidade que o momento pede.
 
A prova está aí na Paulista, para todo mundo ver. Em que pese a boa vontade (que as vezes aparenta até má fé e engodo) de quem, por anos, prometeu a volta do trem, nenhum fruto foi colhido, ao menos até agora (e admito que até poderá gerar). Muito mais urgente após os danos da pandemia, São Paulo tem pressa para reembalar sua atividade econômica, que foi criminosamente sufocada pelos ‘lockdowns ditatoriais’ de eficácia duvidosa contra a Covid.
 
Quando defendo a interiorização e diversificação da atividade econômica nas pequenas e médias cidades do interior, com incentivos fiscais dos municípios, às empresas que estão nos grandes centros, vislumbro a retomada do transporte ferroviário como fundamental para, não apenas baratear, mas agilizar a chegada de insumos e saída dos produtos de valor agregado para os polos de consumo doméstico e exportação.
 
E tem que ser célere, organizada e baseada em uma política governamental que transfira para o Estado e União parte das ‘renuncias de receita’ em forma de incentivo, por meio de Lei, que só as prefeituras têm assumido – pouquíssimas, diga-se de passagem, infelizmente.
 
Precisamos de bancadas do ‘Trem de Ferro’ na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional, para um trabalho conjunto de sistematização de uma política de parcerias público-privadas ou similar, que possibilite, ao menos a médio prazo, investimentos em massa (nacionais e estrangeiros) no pouco que resta da malha ferroviária.
 
Posso apostar: a linha de ferro, que norteou a formação e o desenvolvimento de várias micro e macrorregiões do País, será um dos esteios para a viabilização do crescimento potencial de São Paulo em seu rico interior. Mas tem que ser rápido.
 
VIÁVEL
 
Para quem ainda ‘discute’ a viabilidade e a vantagem econômica da ferrovia, que é infinitamente mais valorizada em outros países do mundo, basta ver que – segundo comparativo de especialistas – um único vagão graneleiro comporta em torno de 100 toneladas de grãos (na média), enquanto uma carreta bitrem leva não mais que 36 toneladas.
 
“Com a substituição gradual do transporte agrícola pelo sistema ferroviário, a economia estimada seria de 30%, devido a maior capacidade dos trens”, postou ainda em 2018, o portal ‘www.exame.com’.
 
Um estudo do professor Gesner Oliveira (FGV) e do diretor do Ipea, Fabiano Pompermayer, publicado à época, mostrou que as ferrovias representam não mais de 15% da estrutura de transportes no Brasil, um percentual considerado baixo, na comparação com outras nações com as dimensões continentais do Brasil.
 
COMPROMISSO
 
Também nesse particular o povo paulista tem meu compromisso e do Republicanos, partido ao qual sou filiado, de trabalhar em favor da retomada do trem de ferro, mas com responsabilidade política e união de todas as forças que a empreitada demanda e que sejam possível reunir.

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